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Após as aulas, você consegue responder a questão acima: por que a Revolução Industrial ocorreu primeiramente na Inglaterra? Para respondermos a essa pergunta, não esqueçam do conceito de Revolução mencionado no post anterior!

A Grã-Bretanha acumulou muita riqueza ao longo dos séculos XVII e XVIII, através das atividades de saques dos corsários, dos lucros adquiridos pelas companhias de comércio, do tráfico negreiro e dos rendimentos advindos das colônias.

A burguesia teve papel fundamental nesse processo pois, com o apoio da Coroa, expandiu o domínio dos mercados europeus e coloniais. Tal expansão favoreceu a construção de navios, usados para o comércio e para a marinha de guerra. Neste período, a marinha inglesa era uma das mais fortes, o que lhe valeu a alcunha de “rainha dos mares”.

Com o aumento de mercado consumidor para os produtos ingleses, especialmente os tecidos de lã, os comerciantes sentiram a necessidade de ampliar a produção de tais itens.

No entanto, era necessário modificar a forma de produção, pois até então era artesanal. Ou seja, cada artesão e sua família controlava todas as etapas da fabricação ( limpeza da lã, fiação, penteação, tecelagem, tingimento, etc.) até a venda do tecido. Usavam suas próprias ferramentas e trabalhavam no ritmo que entendessem como suficiente para garantir o seu sustento.

Nesse sentido, os comerciantes passaram a investir seus recursos financeiros na fabricação de tecidos de lã. Compravam a matéria-prima e contratavam artesãos, que trabalhavam em grandes galpões ou em suas casas, em troca de salários. As tarefas eram divididas e o horário e ritmo de trabalho era controlado pelo comerciante. A mercadoria produzida era vendida no mercado internacional e o lucro obtido pertencia ao comerciante. A esta nova forma de produzir denominamos manufatura.

As manufaturas de lã tornaram-se uma atividade lucrativa e expandiram na Inglaterra. Para que seu crescimento continuasse viável, o Parlamento inglês autorizou o cercamento dos campos (enclosures) garantindo o fornecimento de matéria-prima, a lã.

O cercamento dos campos consistiu na autorização dada pelo Parlamento aos grandes proprietários rurais de cercarem terras de uso comum. Nesse processo, muitos pequenos proprietários foram expulsos suas terras. Sem a terra para seu sustento e o de sua família, emigraram para as cidades na busca de empregos, como Liverpool, Manchester e Glasgow, onde havia grande movimento comercial.

Naquelas cidades, para conseguirem sobreviver, muitos artesãos e camponeses pobres – homens, mulheres e crianças – submeteram-se aos baixos salários oferecidos pelas fábricas, onde eram péssimas as condições de trabalho e higiene.

Com o cercamento dos campos, houve grande liberação de mão de obra do campo para as cidades. Ao mesmo tempo em que muitos camponeses pobres migram para os centros urbanos em busca de trabalho, artesãos que não conseguiram competir com as manufaturas e maquinofaturas engrossam as filas de desempregados em busca de sustento para si e suas famílias.

Sem suas terras ou suas oficinas, a esses indivíduos lhes restavam apenas o uso de sua força de trabalho, que vendiam em troca de salário. Por isso, passaram a ser denominados de proletários. Os proletários não são donos das ferramentas e máquinas que usam no trabalho, não são donos dos produtos que fabricam e também não são donos do lucro de suas vendas.

Para os burgueses, donos de fábricas, era extremamente vantajoso ter um exército de mão de obra a sua disposição. A lógica era: quanto mais desempregados, menores os salários oferecidos. Gastava-se pouco com salários e com isso o lucro era maior. A preferência era empregar mulheres e crianças, pois recebiam metade do salário de um homem adulto, pela mesma carga horária – 12h a 16 horas por dia.  Muitas crianças, com menos de 8 anos, trabalhavam nas fábricas simplesmente paga ganhar alojamento e comida. Como é possível perceber, não havia qualquer direito trabalhista, como os que existem hoje e resguardam o trabalhador em caso de doença, acidentes de trabalho, etc.